O Sagrado Silêncio Criador Dos Poetas E Dos Escritores

 

L’Art et Littérature, c. 1867 ~ William-Adolphe Bouguereau


(…) Em silêncio, pensamos tudo, até as piores coisas. Mesmo na era das psicoterapias e dos detectores de mentira, ainda é possível acreditar no seguinte: podemos pensar, e ninguém nunca saberá. Quando externamos os pensamentos, mesmo os mais livres e perigosos, eles passam pelo filtro social do civilizado. Na vida social, tudo tem limites. Mas que limites? Hoje se fala muito em ética, mas que outra coisa é a ética, senão o outro?

Já em silêncio, naquele lugar secreto a que ninguém mais tem acesso, tudo é possível. Neste magma de idéias imprecisas e inconvenientes e de pensamentos instáveis e discrepantes, navegam os escritores. Por isso precisam escrever: para dar forma ao que, de outra forma, ferveria e ferveria, até destruí-los.

Sem o fogo do silêncio não há escrita. É preciso que haja silêncio, longo, misterioso, torturante, para que a palavra, quando enfim dita, quando finalmente escrita, tenha valor.


José Castello

in: Prosa & Verso

Jornal O Globo

pag.4

Sábado, 16 de fevereiro de 2008


Inomináveis Saudações a todos vós, Seres Do Mundo.

O trecho acima do artigo de José Castello é a parte final do mesmo e me chamou a atenção extremamente, diretamente inseriu em meu Eu Pensante, como no de muitos outros leitores que sejam escritores e poetas. Alço a direção do texto todo, cujo título é O fogo do silêncio, com o intuito de neste post falar de um modo mais universalizante do Poder Da Escrita em suas várias vertentes. O Fogo, O Fogo Criador, O Fogo Inspirador, O Fogo Interior Do Escrever, O Fogo Interior Do Poetizar, essa Energia Maior, Energia Suprema, Energia Divina, Energia Cósmica, proporcionante das Auroras Criativas, é O Originador Sagrado De Todo Livro. Nestes tempos onde O Segredo supera O Sagrado, onde a mediocridade supera a genialidade, onde a materialidade supera a Espiritualidade, onde a Lei Da Atração supera a Lei Da Ação, falar no Sagrado como a maneira de Ser do Poetizar e do Escrever pode soar arcaica para as mentes acostumadas com a direção imbecilizante das coisas contemporâneas. Mas, Escrever É Sagrado, Poetizar É Sagrado. Sagrado, escritores são Seres Sagrados, campeões da Vida Eterna, pois mesmo após suas desencarnações as suas obras legam à Humanidade toda a sua Interior Essencialidade. Sagrados, poetas são Seres Sagrados, pois da mesma forma que os escritores fazem parte da Eternidade quando abandonam seus veículos físicos. Escritores e poetas, ao retornarem em outros corpos, continuam um trabalho já iniciado em suas Existências Anteriores, nada é novo para eles, nada é mais sagrado para eles do que escrever, do que poetizar. Ser escritor e poeta, ao mesmo tempo, é Ser Dualmente Sagrado, É Toda A Numerologia Sagrada, Tudo Se Revela, Tudo Se Transforma, Tudo Se Intensifica, Em Correlação Com Os Números Que São Tudo. E O Silêncio, O Sagrado Silêncio, A Hora Maior Da Absorção No Escrever E No Poetizar Vai Ditando A Exposição Do Ser Poeta, Do Ser Escritor.

Tudo pode ser ouvido no Sagrado Silêncio. Tudo é ouvido no Sagrado Silêncio. Tudo no Sagrado Silêncio. Tudo É O Sagrado Silêncio Para Os Escritores E Para Os Poetas. Nas mãos, a possibilidade, Sagrada Possibilidade, de Ser Um Deus. Nas mãos, a possibilidade, Sagrada Possibilidade, de Ser Um Demônio. Nas mãos, a possibilidade, Sagrada Possibilidade, de Ser Jesus de Nazaré. Nas mãos, a possibilidade, Sagrada Possibilidade, de Ser Adolf Hitler. Nas mãos, a possibilidade, Sagrada Possibilidade, de Ser Todos Os Homens. Nas mãos, a possibilidade, Sagrada Possibilidade, de Ser Todas As Mulheres. Nas mãos, a possibilidade, Sagrada Possibilidade, de Ser Negro. Nas mãos, a possibilidade, Sagrada Possibilidade, de Ser Branco. Nas mãos, a possibilidade, Sagrada Possibilidade, de Ser Vermelho. Nas mãos, a possibilidade, Sagrada Possibilidade, de Ser Cinzento. Nas mãos, A Poética Paixão! Nas mãos, A Escrita Apaixonada! Nas mãos, A Silenciosa Paixão Poetizante! Nas mãos, A Silenciosa Paixão Geradora De Todas As Escrituras! Nas mãos, A Energia, O Fogo, O OM, O AMEN, O TARO, O ROTA! O escritor, o poeta, em separado, ao mesmo tempo, é o ãtmanah: o dependente de si mesmo. O poeta, o escritor, em separado, ao mesmo tempo, é o visúddhaye: para aclarar. O poeta, o escritor, em separado, ao mesmo tempo, permanece, escrevendo, poetizando, no upamarate: quando uma pessoa sente felicidade transcendental. O poeta, o escritor, em separado, ao mesmo tempo, escrevendo, poetizando, está integrado ao indriya-grãman: o conjunto completo dos sentidos. O poeta, o escritor, em separado, ao mesmo tempo, escrevendo, poetizando, tem a sua Alma Eterna, tem o seu Espírito Eterno, no ãtma-samtshan: colocada em Transcendência. Podemos definir esses cinco Estados como Os Cinco Silêncios Transcendentes Do Fogo Criador Interior, O Silencioso Fogo no Eu, no Ser, dos poetas, dos escritores, de todos os seres humanos, mesmo os que não sabem que podem Despertá-lo, fazendo-O Girar, Gerar, Queimar, Produzir E Transcender.

Exemplos múltiplos dentre os Mestres Da Literatura e os Mestres Da Poesia, os Gênios Maiores Da Arte Do Escrever E Do Poetizar, poderiam ser aqui dados. Escolho um Mestre, um Gênio, meu Irmão Dante Alighieri (1265-1321) e a eterna obra, de fato gerada pelo Silêncio Que Inspira, A Divina Comédia, Obra Maior De Toda Uma Existência Maior. Dante, poeta e escritor, uma referência, um Mestre Inspirado, um Mestre Inspirador. Na Divina Comédia, convivem a Prosa e a Poética em Harmônica Essencialidade Geradora De Altos Caminhos Interpretativos. Na Divina Comédia, Obra Gerada No Silêncio Das Esferas Interiores Em Chamas, os Cinco Silêncios são encontráveis a todo momento, são palpáveis, são Pais de toda a direção das palavras nela contidas. A Oração De São Bernardo, no Canto XXXIII do Paraíso, levou-me às lágrimas, é Filha Maior Do Silêncio, ditada a Dante através das Salas Silenciosas Da Alta Inspiração. A Oração De São Bernardo, dedicada à mãe de Jesus, Maria, representa toda a reunião de cada palavra contida neste post, do que aqui foi escrito no Inominável Silêncio Criador.


Vergina Madre, figlia del tuo figlio,
umile e alta piú che creatura,
termine fisso d’etterno consiglio,
tu se’ colei che l’umana natura
nobilitasti sí, che’l suo fattore
nos disdegnò di farsi su fattura.
Nel ventre tuo si racesse l’amore,
per lo cui caldo ne l’etterna pace
cosí è germinato questo fiore.
Qui se’ a noi meridiana face
di caritate, e giuso, intra’ mortali,
se’ di speranza fontana vivace.
Donna, se’ tanto grande e tanto vali,
che qual vuol volar sanz’ ali.
La tua benignità non pur soccorre
a chi domanda, ma molte fiate
liberamente al dimandar precorre.
In te misericordia, in te pietate,
in te magnificenza, in te s’aduna
quantunque in creatura è di bontate.
Or questi, che da l’infima lacuna
de l’universo infin qui ha vedute
le vite spirituali ad una ad auna,
supplica a te, per grazia, di virtute
tanto, che possa con li occhi levarsi
piú alto verso l’ultima salute.
E io, che mai per mio veder non arsi
piú ch’i’ fo per lo suo, tutti miei prieghi
ti porgo, e priego che non sieno scarsi,
perché tu ogne nube li disleghi
di sua mortalità co’ prieghi tuoi,
sí che’l sommo piacer li si dispierghi.
Ancor ti priego, regina, che puoi
ciò che tu vuoli, che conservi sani,
dopo tanto veder, li affeti suoi.
Vinca tua guardia i movimenti umani:
vedi Beatrice con quanti beati
per li miei prieghi ti chiudon le mani!

Virgem e mãe, que és filha de teu filho,
humilde e alta mais que criatura,
de eterno querer termo fixo e brilho,
aquela és que a humanal natura
tanto nobilitaste, que o factor
não desdenhou fazer de si feitura.
No ventre teu reacendeu-se amor
e em paz eterna fez que germinasse
a seu calor assim tão bela flor.
Aqui nos é meridiana face
de caridade, e lá, entre os mortais,
és de esperança a fonte mais vivace.
Dona, és tão grande e tanto sobressais,
que quem a ti por graça não recorre,
sua ânsia quer voar sem asas tais.
Benignidade em ti não só socorre
quem pede, e quantas vezes na verdade
liberalmente antes da prece acorre.
Em ti misericórdia, em ti piedade,
em ti magnificência, em ti se aduna
quanto em criatura exista de bondade.
Ora este que da ínfima lacuna
do universo viu nesta altitude
cada vida espritual como se auna,
te suplica, por graça, de virtude
tanto, que com os olhos se elevara
mais alto até à última saúde.
E eu peço, e por meu ver não me incendiara
mais do que pelo seu, que não esqueças
a minha prece, e que ela lhe bastara,
porque tu toda a nuvem desvaneças
de tal mortalidade com a prece,
e assim sumo prazer lhe ofereças.
Inda peço, rainha, por benesse,
pois podes o que queres, guardes sãos,
se tantos viu, afectos que professe.
Venças na guarda humanos gestos vãos:
vê Beatriz ali com tanto beato
por minha prece a ti erguendo as mãos!


A versão original da Oração, em italiano arcaico. A tradução, no português de Portugal, de Vasco Graça Moura, retirada da edição publicada aqui no Brasil pela Editora Landmark.

Que mais falar após esta Oração?

Que mais escrever após esta Oração?

Que mais poetizar após esta Oração?

Prefiro inominavelmente silenciar-me…

Que todos vós, escritores, poetas, escritores-poetas, não-escritores, não-poetas, não-escritores-poetas, aprendam com o Silenciar-Se.

Silenciar-Se No Silêncio Sagrado Do Criar.

Silênciar-Se No Silêncio Sagrado Do Ser.

Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Seres Do Mundo! 






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