Miss Violence

 



👨🏾‍💻 Dados Técnicos

Ano: 2013
País: Grécia
98 min. 
Direção: Alexandros Avranas
Roteiro: Alexandros Avranas e Kostas Peroulis
Produção: Alexandros Avranas e Vasilis Chrysanthopoulos
Edição: Nikos Helidonides
Elenco:Themis Panou, Reni Pittaki, Eleni Roussinou, Sissy Toumasi, Kalliopi Zontanou, Constantinos Athanasiades, Chloe Bolota, Maria Skoula, Nikos Hatzopoulos, Minas Hatzisavvas
Companhias Produtoras: Faliro House Productions e Plays2Place Productions 
Datas de lançamento: 1º de  setembro de 2013 (Veneza) e 07 de novembro de 2013 (Grécia) 
Idioma: Grego


✍🏾 Sinopse 

Uma história desconcertante sobre um horrível drama familiar realizado a portas fechadas e uma fachada elaborada onde aparições enganam e nada é o que parece.

⚖️ Créditos da Sinopse: IMDB






Inomináveis Saudações a todas e todos vós, Seres Do Mundo. 

Escrever esta Resenha não será nada fácil porque o tema deste filme é um dos meus indigestos do mundo. Eu o assisti no ano passado (2025), ainda quando estava no WordPress, e não consegui escrever a minha visão acerca de tudo o que eu presenciei nesta obra. O conteúdo extremamente pesado me afetou de inúmeras maneiras, ao ponto deste filme não sair da minha coisa. Ele é um daqueles filmes que são assistidos somente uma vez, tamanha é a carga de traumas adquiridos diante da crueza de sua realidade. Pois, em Miss Violence se concentra um panorama de crimes que, neste exato momento, podem estar a ocorrer nas casas de alguns dos nossos vizinhos. Incesto, Pedofilia, Exploração Sexual, Prostituição, Violência Psicológica, Violência Moral, Violência de Gênero, Estupro, Misoginia, Machismo, Masculinismo, Imoralidade e Desumanidade são os espinhosos desgraçados temas que o Diretor Alexandros Avranas, de forma direta e intragável, expõe como uma análise social da Decadência Humana. Este filme é uma desgraça que eu nunca deveria ter assistido; no entanto, ao não suportar mais guardar para mim o que venho meditando durante meses sobre ele, aproveito a última noite de sábado do mês de abril deste ano de 2026 para despejar neste texto a minha franca e profunda opinião. 

Eu chamo o filme de desgraça, mas não no sentido de ser um péssimo filme com interpretações e Direção horríveis. Muito pelo contrário, Miss Violence é uma obra-prima que se aproxima bastante da lixeira humana para passar a mensagem do quanto um ser humano é capaz de se deteriorar em todos os sentidos. Não se trata de um filme educativo ou que busque amenizar as horrendas profundezas que toca, o intuito do Diretor, também Roteirista (junto com Kostas Peroulis), é fazer aquelas(es) que assistem-no afogarem-se na podridão que escancara de forma impiedosa e visceral. Aqui se apresenta um Horror Real, um Terror Real, uma Desgraça Real, que se estampava no noticiário no ano de 2013 (o do lançamento do filme), de 2025 (quando o  assisti pela primeira e única vez), deste de 2026 e muito antes do primeiro ano. É impossível não fazer conexões de um filme como este com o contexto histórico no qual está inserido e é possível encontrar nele o Ódio às mulheres pelo que elas são a partir da asquerosa, repugnante, escrota e desgraçada figura do Pai (Themis Panou). No contexto de 2026, faz muito sentido ainda a aproximação da realidade ficcional que não é ficção deste filme e a nossa sociedade mundial que cada vez mais assiste ao crescente número de homens que odeiam as mulheres, que violentam mulheres, que matam mulheres. Eu jamais escreveria uma Resenha fria e distanciada dos terríveis temas e cenas deste filme, me desculpem pela emoção que transparece nestas palavras. Ter assistido apenas em 2025 a este filme e ter demorado bastante para escrever sobre ele foi a melhor maneira de proceder como Resenhista porque os pensamentos nascidos da aproximação com esta obra estão hoje mais condensados. 

Essa condensação se encontra na maneira como estou me controlando agora mesmo para não me deixar abraçar demais com a minha revolta pelo realismo de algo que acontece ao meu redor diariamente. O Pai, uma figura de inacreditáveis despudor e desonra, representa uma deformação do sentido que a palavra que o caracteriza carrega. Um pai significa um protetor, guia, conselheiro e amigo nos casos mais positivos que tanto o Cinema quanto o mundo real possuem. O Pai de Miss Violence é um vômito dos mais podres e fedorentos ao ser extremamente o contrário de tudo isso em sua forma predatória e exploratória de Ser. A Mãe (Reni Pittaki), uma mulher apagada, submissa e como que absurdamente escravizada psicologicamente pelo marido, tudo assiste inerte, fria, distante e indiferente aos piores atos por ele cometidos. Há uma história pregressa de anos que justificam os acontecimentos e a rotina da família disfuncional vista neste tenebroso Universo Mitológico povoado de monstros morais e amorais. Não há flashbacks e nem diálogos muito expositivos acerca do passado familiar, o que é uma percepção que me atraiu nas entrelinhas para esta minha visão. A aparente desculpa dada pelo Pai para fazer o que faz possui algo de muito mentiroso, como se qualquer justificativa fácil e simplista se apoiasse no torto sentido do que ele faz. O filme não responde diretamente ao que pode haver no coração do Pai e da Mãe, que aceita toda atrocidade de uma forma grotescamente passiva, e joga na mente do(a) espectador(a) todas as possibilidades reflexivas que possam chegar a uma resposta para cada um(a). 

Diante desse contexto, a Mãe é uma deformação do que se aguarda, nos melhores casos, em suas funções em uma família normal. Mãe anuncia aconchego, proteção, carinho, apoio, candura e amizade se as perspectivas de vida e pensamento de uma mulher que escolhe esse papel, em seu histórico pessoal e conforme a sua vontade, à frente de um lar ao lado de seu marido. A Mãe em Miss Violence é somente uma criatura apática e se senta ao nosso lado como uma também espectadora do que a tela, isenta de misericórdia, nos mostra de forma crescente. Este modo que Avranas optou para contar a história, torna tudo muito mais incômodo, cruel, revoltante e extremo ainda. Ele não tem pressa ao expor cada camada dos adultos desta família e um outro elemento feminino adulto, com papel participativo nos atos do Pai, é Eleni (Eleni Roussinou). Eleni, que é espectadora, vítima e algoz em um combo que torna a interpretação da Atriz que a encarna a melhor de todo o filme (o restante do Elenco está muitíssimo bem, mas Roussinou destila algo muito mais extremo até quando silencia-se em cena). Sua ligação com o Pai explica grande parte do enredo; sua ligação com a Mãe aplica-se a demonstrar uma cumplicidade diante de fatos que não tem a força necessária para controlar; e suas frágeis tentativas de escapar de todo o Terror/Horror que é o Pai e a Mãe dela, afetam diretamente as irmãs (ou filhas?) dela, Angeliki (Chloe Bolota) e Myrto (Sissy Toumasi) e os filhos Alkmini (Kalliopi Zontanou) e Filippos (Konstantinos Athanasiades). O olhar de Eleni demonstra medo, desespero, angústia, aprisionamento e dor, mesmo que a cumplicidade dela colabore bastante com cada atitude amaldiçoada e possessiva do Pai. O filme cresce em suas anomalias, a densidade da atmosfera sufocante de uma casa que fede a coisas piores do que lixo se eleva. É quase possível sentir esse cheiro diante de tudo que se passa neste filme. É latente mesmo o tom de mergulho em abismos dos quais não se pode escapar mais por mais que se tente. 

O abismo de Miss Violence se atrelou ao meu contexto como Cinéfilo e me fez mais ainda ciente de que não devo fechar os meus olhos para as representações, na Arte, de tudo do Grotesco e do Criminoso da Humanidade. A tortura psicológica que envolve os  Personagens adultos em suas funções acima descritas e a adolescente Myrto em sua exploração excessiva, aliada a todo um caos social nítido nessa família, está gritando a todo momento na película. A Mãe, mesmo inerte e compassiva, parece ser a mais psicologicamente destroçada, muito pelo fato de aceitar as tramas movidas pelo Pai sem questioná-las em nenhum momento. O caos visto dentro de uma família reflete bem as consequências da crise econômica na Grécia em 2008, que se tornou mais grave por causa da recessão global que ocorreu naquele ano. Repito o que escrevi acima: uma Resenha nunca deve deixar de lado o contexto histórico no qual uma insana obra demasiadamente perturbadora foi realizada. Prestes a ser um indivíduo descartado de seu trabalho por causa também da idade, o Pai é levado a fazer o que faz; porém, como eu acima observei, não pode ser apenas isso a causa motora de toda a calamidade que explode neste filme. Este ponto volto a destacar aqui no texto porque, caso venham a se interessar em assistir Miss Violence (por vossa própria conta e risco), peço que observem o que nunca é dito pelos adultos em momento algum. Vale pescar nas entrelinhas o que nenhuma palavra minha aqui conseguiria bem expressar porque é algo bastante particular meu. Será para ti também bastante particular, se você sobreviver a este atentado psicológico em forma de filme, alcance uma interpretação particular caríssima para ti que palavra alguma poderá expressar. Eu sou apenas um inominável guia por caminhos culturais, mesmo os mais difíceis e dolorosos. 

Uma parte de mim, entretanto, não lhes recomenda a experiência da imersão neste filme. Muita coisa em mim foi destroçada após assisti-lo e vai lhes destroçar se o interesse em conhecê-lo chegar a vós após esta minha Resenha. Esta não aliviou  ou apaziguou em nada o resultado desta desgraçada experiência cinematográfica. Miss Violence vai acompanhar-me até o fim dos meus pacíficos ou violentos dias.

Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Seres Do Mundo. 


















Alexandros Avranas






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