O Amor Real: Uma Concreta Realidade Ou Poético Sonho Ideal?

 Um Ensaio sobre O Verdadeiro Amor indo do senso comum a filosóficas observações inomináveis


Imagem de Khusen Rustamov por Pixabay


Inomináveis Saudações a todas e  todos vós, leitoras e leitores virtuais! 

Escritos em épocas distintas, os poemas, de minha Autoria, Onde Você Está, Amor Real?, Onde Você Ainda Está, Amor Real? e E Ainda Continuo Aguardando O Meu Amor Real…, falam do mesmo tema que é uma preocupação dentro de minha obra poética. Não digo ser uma preocupação típica de alguém que não consegue ter sucesso em relacionamentos amorosos, o que é o meu caso, mas algo que vai muito além dessa específica questão. Trata-se de uma preocupação em tocar na perspectiva de examinar o que significa o Sentimento que muitos chamam de Amor nos dias contemporâneos. Nestes dias de hiperconectividade e nos quais tudo flui liquidamente, sem qualquer permanência ou profundidade, questionar algo se reparte em várias dinâmicas fontes de proporções alcançáveis de alguma noção da concreta e genuína acepção e conclusão sobre algo. Acepção, no entanto, sempre bastante pessoal e que não tem como atingir as massas ou influenciar o pensamento acadêmico de uma maneira geral. Conclusão, igualmente, muito pessoal e limitada pelas próprias esferas intelectivas de quem se propôs a erguer um questionamento. Sendo assim, sou suficientemente honesto ao afirmar que tenho a firme convicção de acreditar que as minhas palavras acerca do assunto deste Ensaio serão apenas as observações próprias do meu limitado microcosmo de ideias e concepções como Poeta, Escritor e Livre-Pensador. Não serão, obviamente, verdades absolutas, nem mesmo um campo para altos estudos no futuro. O que cabe aqui é, no mais simples motivo que tenho para explicar o meu propósito ao escrever este texto, tratar de algo que não pode ser desprezado por quem busca ser um Questionador. 

Em um primeiro momento, pode parecer muito estranho que um Poeta esteja escrevendo algo que, em sua base e essência, questiona grande parte do que ele, liricamente, escreve. Como delineei muito bem em poemas e escritos anteriores que publiquei na Internet em meus dezenove anos como Blogueiro, os(as) Poetas não são seres acima da Humanidade, estetica e etericamente desenvolvendo suas obras apartados do comum viver dentro da Civilização. Como pessoa ciente de não ser alguém especial apenas porque escrevo poemas, nunca poderei negar ser parte da população à qual pertenço. Mesmo que muitas vezes eu me sinta um estranho no meio de uma multidão, olhar distanciado para a mesma não me possibilitaria entender tanto o que eu escrevo quanto a mim mesmo. Naquele mesmo texto da Série Trocando Farpas, acrescentei ter em comum com os demais que não se atentam ou não querem se atentar aos problemas políticos e sociais o fato de vivermos em um país que é um palco acumulador de diversas injustiças. Aqui, no meio deste texto, uma suprema afirmação faço: também tenho em comum com tais pessoas o sonho de encontrar a pessoa certa para mim, a pessoa certa para casar, ter filhos e envelhecer, construindo uma família. Esqueçamos as premissas religiosas, as pressões sociais e as necessidades efêmeras que muitas das vezes fazem com que fiquemos ao lado de alguém apenas para passar o tempo. Falo aqui do desejo maior do coração, da mente e da alma, típica até mesmo da pessoa mais fria e seca do mundo, de ter alguém com quem compartilhar momentos íntimos, conquistas pessoais e concretizações de sonhos. Algo natural em todos nós, Seres Humanos, mesmo que muitos digam, sonoramente bem alto, que estão bem sozinhos(as). Eu sou uma destas pessoas. 

Dentro do Ideal Poético, a figura da Mulher Ideal é um Projeto que perpassa todos os versos românticos desde sempre escritos. O Homem Ideal, objeto de culto para algumas Poetas na História, também é uma consideração que aqui devo fazer. Dentro dos limites que citei no primeiro parágrafo, concernentes a mim, seria condenável defender aqui que o descrito em poemas acerca do Amor seja a realidade concreta do mesmo na vida de cada pessoa do mundo. Fora dos meus sonhos poéticos, sou uma pessoa como qualquer outra, um cidadão brasileiro que advoga ter um pouco de ciência da própria realidade em si de cada coisa fora das imagens de um poema voltado para altos sonhos. Estes, falando com toda a sinceridade, não passam mesmo de fantasias abstratas, eu nunca os realizarei, assim como nenhum Poeta e nenhuma Poetisa os realizou. É quase anacrônico na atualidade escrever poemas românticos, mas sigo desenvolvendo versos assim exatamente porque não devo me afastar dos meus sonhos. Por outro lado, fincando os meus dois pés no mundo real, não sou inocente ao ponto de crer que as maravilhas românticas que descrevo em estrofes algum dia irão se concretizar na minha existência. Fazendo, assim, uma crítica de mim mesmo, elaboro um painel do qual ninguém que escreve romanticamente ainda pode escapar. O Amor Real dentro da Poesia é, no caso específico de ser algo idealizado simplesmente por uma mente dentro dos limites líricos, uma utopia particular da parte de quem dele fala. Os Romances Literários, repletos também de altos sonhos e sempre com finais felizes, são igualmente exemplos de Universos Mitológicos Utópicos. Filmes, Novelas, Séries e qualquer forma de Produção Audiovisual ou Artística que se apegue aos simbolismos mais fantasiosos acerca do Amor, estão no mesmo rol de serem utopias que entretém e fazem sonhar os seus espectadores. Quando o sonho acaba, um olhar para a própria vida proporciona, muitas vezes, um desagradável choque de realidade intragável. Isto já ocorreu muito comigo. 

Os castelos de pó, areia e água construídos nos sonhos sempre hão de desmoronar. Os olhos voltados para as nuvens, imaginando como seria uma pessoa ideal, hão de ser perfurados. Os pensamentos desejosos do encontro de alguém idealizado ao máximo, uma Princesa Encantada/um Príncipe Encantado, hão de ser afogados. A nítida compreensão disto chega tanto para quem poetiza sobre o Amor quanto para quem sequer nunca leu ou escreveu um poema (e até para aquelas e aqueles que não gostam de Poesia). Não concordo com uma ideia, quase muito popular, que diz serem todos os humanos românticos, nem em contextos básicos como paixões passageiras ou encontros frugais envolvendo apenas sexo. Mesmo não sendo em seu todo repleta de entes românticos de modo extremo, a Humanidade tem casos nos quais o que se chama Amor Real se concretizou. Casais que viveram juntos por cinquenta anos ou até mais, apaixonadíssimos um pelo outro até o último suspiro, são os que exemplificam aquela concretização no mundo real. Esses casais podem ter tido os seus conflitos e perturbações algumas vezes, mas se mantiveram, pelo Sentimento que eu e você não sabemos bem explicar o que seja, unidos fortemente. No entanto, citar tais casais não nos faz alcançar sequer qualquer ideia próxima do que seja Verdadeiramente Amar porque o que houve entre eles não se pode traduzir com simples palavras de observadores de fora. Um método científico poderia ser criado no futuro para a realização de um Estudo Completo acerca do Sentimento chamado Amor, uma indução minha que não passa de mais um utópico sonho. Jamais saberemos através das palavras dos outros sobre o que É O Amor. Nem chegaremos perto de saber como É O Verdadeiro Amor. Precisaremos Sentir, mas como poderemos saber que estaríamos com alguém que Sentiria o mesmo que nós? Esta é a dúvida de milhões pelo mundo, até pode ser a dos bilhões de habitantes de todo o planeta. Esta pode ser a sua dúvida, se você se importa em pensar nisto. Esta é a minha dúvida, a dúvida de um completo fracassado em questões amorosas. 

A pessoa ideal existe mesmo ou forçamos em nosso Ser a crença nisto como se fosse algo de absoluta existência? A pessoa ideal não existe e acabamos devorando horas de nossas vidas pensando que algum encontro mágico irá determinar o encontro com tal Ser? Neste mundo atual que comercializa o Sentimento Amor, através da Mídia, como algo que podemos comprar em qualquer calçada ou encontrar em qualquer balada, a única opção que temos, para fugirmos do desespero total em relação a isso, é meditar sobre o assunto. Meditar sobre o modo como podemos nos iludir em demasia, aguardando um milagre futuro que nos salve da solidão plena e da angustiante ideia de morrermos sozinhos na cama de um asilo. Meditar sobre a necessidade ou não de, quando chegarmos a nos desesperar, sairmos em busca de um maravilhoso encontro com alguém a nós destinado, buscando a mesma em pessoas muito longe de serem maravilhosas. Meditar sobre se realmente devemos pôr a vida amorosa na frente da vida profissional, deixando de lutar por uma confortável vida no futuro através do Estudo e do Trabalho para ficar valorizando algo que nossa própria mente modelou. Meditar sobre o fato de buscarmos sempre em outras pessoas o que podemos encontrar em nós mesmos… Bem, esta última sugestão pode ser um tema para outro texto meu, o foco aqui é outro, foco a falar ou tentar falar do que é o encontro com o Amor Real. Sabemos, entretanto, que muitas pessoas solteiras conseguem ser completas, realizadas e tranquilas em relação aos seus trajetos existenciais escolhidos. Podemos até saber que, em alguma parte de nossos mundos particulares, o desejo de apenas viver uma vida sem compromissos amorosos ou da formação de uma família pode ser muito bem percebido. Sabemos e podemos saber, mas alguns entre nós no meio da Raça Humana são guiados por algo inexplicável na direção dos caminhos que possam realizar as coisas do coração. Eu estou entre estes alguns, se não estivesse sequer teria iniciado este texto questionador. Você que seguiu lendo o mesmo até aqui também está. Concordemos que isto faz parte do que somos e não podemos nos desfazer do mesmo. 

De pessoa para pessoa, a afirmação ou a negação de um sonho romântico pode se manifestar de diversos modo. Sendo algo bom ou que atrapalhe outras áreas da vida, não podemos criticar ou atacar porque se trata de um direito existencial de cada um assim Ser. Sempre quando se falar no Amor haverá uma mescla de salto para o onírico e permanência na realidade material, algo inescapável porque ele é Imaterial. O Amor não é algo que se possa explicar segundo os mais rigorosos métodos de pesquisa de cada ramo científico atual ou que venha a ser no futuro desenvolvido. O Amor Real, mais difícil de ser tanto explicado quanto encontrado, repousa até acima dentro do imaginário questionador de muitas pessoas. O ato de questionar muito em direção a ele não sai de um interesse vazio, mas é um genuíno atuar na direção de uma conceituação quase próxima do que o mesmo signifique para o(a) própria(a) buscador(a) dele. Quando acima questionei acerca da pessoa ideal, quis também aplicar uma indução para que possamos assim pensar juntos: e se a pessoa ideal já passou pelas nossas vidas e nós sequer a percebemos porque não sentimos por ela algo mais forte do que a paixão ou o gostar de ficar junto da mesma que, um dia, morreu? Olhemos para as nossas vidas pessoais, todas as nossas trajetórias até este exato texto, até o momento deste agora no mundo onde vivemos. Buscar entender, encontrar ou perceber o Amor Real pode até ser uma grande perda de tempo, desnecessária conduta nossa que idealiza parceiras(os) ao máximo com uma naturalidade que sequer percebemos. Refletir sobre isto é útil, posto que até mesmo a coerência deste texto se aplica a não dar uma resposta evasiva, simplória e inútil para a pergunta no título dele. Meu propósito também não é este, cada indivíduo humano tem a capacidade nata de saber o que é verdadeiro e falso nos seus próprios sentimentos. Você saberá se a pessoa certa, a pessoa ideal, já passou pela sua vida, assim como saberá se a mesma, como o seu Amor Real, chegará nela. Eu saberei o mesmo, demore o tempo que demorar, sempre procurando questionar-me acerca do bem ou do mal que pode haver em minha crença pessoal no dito Amor Real. Saibam também questionar-se assim, a aceitação das próprias dúvidas é o mais perto que temos de proximidade com uma Verdadeira Iluminação. 

No papel clássico de instigador de reflexões, assim deixo aqui lançado este texto. Ensaio com cara de Crônica onde não me afastei de estar dentro porque não saberia falar deste tema como se fosse uma Inteligência Artificial. Como ultimamente vem ocorrendo após o fim da escrita de um texto, saio com dúvidas além das que já tinha antes dele. Me apliquei aqui o máximo que pude em fazer do Objetivo do qual falei um campo para o seu Subjetivo agitar em si o que lhe instigo a fazer, senhora e senhor. Questione também se você ama algo ou alguém de verdade ou é apenas levado a pensar que possui alguma amorosa afeição apenas porque seria um erro e um crime nada sentir. Ame O Real, não a fantasia mais ideal. Pode até ser que a chave para o entendimento do que É o Amor Real esteja no fim do idealizar e fantasiar. 

Saudações Inomináveis a todas e todos vós, leitoras e leitores virtuais!


Imagem de Khusen Rustamov por Pixabay



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