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| Foto de Rafaela Biazi no Unsplash |
Inomináveis Saudações a todas e todos vós, Seres Do Mundo.
Ontem, 22 de abril de 2026, faz-se 526 anos da chegada dos portugueses ao território que hoje conhecemos como o do nosso país. Antigamente, desde a época em que eu fazia o Ensino Fundamental, sempre recebi a informação de que o Brasil foi “descoberto”, ignorando-se o fato de que já residiam por aqui povos com costumes e culturas próprios. O termo invasão é o mais correto, atualmente sendo aceito por diversos acadêmicos de História e de outras formações nas Áreas de Humanas e Exatas, algo que eu também adoto. No entanto, as pessoas mais simples e as que não tem muito interesse em se instruir ainda crêem na fábula do “Descobrimento do Brasil” como aprenderam nas escolas primárias. Mudar isto deveria ser motivo de preocupação governamental, mas os Governos após a redemocratização do país jamais se interessaram nessa que seria uma sublime reparação histórica.
Uma reparação elementar que reconheceria as atrocidades de todos os massacres de povos indígenas que ocupavam este solo. Cada estupro, tortura, assassinato e escravização de habitantes nativos, efetuados pelos portugueses e seus descendentes, deveria ser exposto como o relato mais sincero da Verdadeira História do Brasil. Igualmente, cada estupro, tortura, assassinato e escravização de africanos, efetuados pelos mesmos autores das barbaridades contra os indígenas, e dos seus descendentes deveria ser amplamente divulgada nas verdades de seus horrores para cada pessoa que considera “mimimi”, hoje em dia, ser antirracista. A nossa História não é bonita, muito menos charmosa, deliciosa ou fotográfica o suficiente como diversos quadros representam desde o Império. E o Brasil não continua sendo um país com uma História que possa se considerar uma sensacional maravilha de altos feitos e glórias.
Seguindo hoje com o nosso histórico de crimes seculares, temos a Pandemia de Feminicídios que atualmente aflige todo o país. Junto a isso, as organizações criminosas que estão cada vez mais fora do controle das Forças de Segurança Federais e Estaduais. Oh, também temos, praticamente, um escândalo de corrupção por semana, seja vindo do Supremo Tribunal Federal ou do Baixo Clero da Política Nacional! E a miséria que ainda hoje existe pelo país? E os moradores de rua, os quais nenhum político se dá ao trabalho de querer planejar uma maneira de extinguir esse problema com medidas de alto impacto social? E os hospitais públicos caindo aos pedaços? E a violência crescente nas escolas públicas, muitas destas estando igualmente deterioradas em suas estruturas físicas? E as universidades públicas, com Orçamentos apertados, problemas estruturais e uma onda de desmoralização alimentada por Fake News? E cada problema que se acumula em todos os âmbitos, atravessando as mais diversas camadas sociais, ultraviolentamente corroborada pela polarização política que cada vez mais, de forma contínua e irrefreável, divide toda a população.
A divisão populacional em grupinhos ideológicos, conforme os gostos e desgostos das massa, alarga uma desunião que, por si só, já era densa em sua secularidade na História de nossa nação. O que se iniciou em 2018 não tem prazo para terminar e se modela como algo definitivo que veio para ficar, a menos que surja alguém ou algo para quebrar o ciclo de Ódio e Conflito que se acirra novamente neste ano de Eleição Presidencial. Um Golpe fundou a nossa República após um Período Imperial conturbado de diversas revoltas; dois Golpes fundaram Ditaduras cujas consequências ecoam até hoje na sociedade brasileira; e um futuro Golpe vai destroçar de vez a História Republicana Brasileira para dar lugar a algo que, talvez ou não, será muito pior do que uma Ditadura. Não pensem vocês que Luiz Inácio Lula da Silva, caso seja reeleito, fará grandes revoluções no país em seu quarto Mandato; e nem pensem que Flávio Nantes Bolsonaro, caso ganhe a Eleição, será o que o pai dele não foi como Presidente. Com tudo sendo político neste país, até mesmo este meu texto aqui publicado e todo este blog em si, o mais óbvio é que o Brasil se fragmente ainda mais neste ano de 2026 em termos ideológicos, sociais, legais e ilegais. Um racha na estrutura da sociedade que há 526 anos, desde os tempos de formação das sociedades primárias em todo o território que se tornaria o Brasil, tem a tendência de não parar de crescer.
A ruptura total da Sociedade Brasileira ainda está muito longe de ocorrer, se é que algum dia se romperá de vez a coesão institucional que nem mesmo as Ditaduras conseguiram romper (apenas contribuíram para o aumento da fissura). O Passado, o Presente e o Futuro do Brasil estão fortemente conectados, pois “o gigante adormecido em berço esplêndido” ainda não despertou e talvez demore alguns milênios para Despertar de verdade. O que temos é um registro histórico de injustiças, desesperança, dor, medo, insegurança e desespero condensados neste musical registro:
Perfeição
Legião Urbana
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos covardes
Estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escola, as crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Tânatos
Perséfone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre e todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo, nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir, não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância, a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção
Venha
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição
A letra de Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, um verdadeiro poema, traduz o Brasil de verdade como nenhuma outra letra de música traduz. Neste ano, Perfeição faz 33 anos e por mais 33 anos permanecerá atual; julgo, até, que será ainda atual daqui a 333 anos; e chegará a um país daqui a 3.333 anos que poderá ser ou não outro, bem diferente da miséria pintada como festa e midiaticamente explorada de forma carnavalesca a querer tentar pintar esta Nação como uma das maravilhas da Terra. Não, o Brasil não é uma terra maravilhosa, assim como nenhum país é; e nunca será, assim como o mundo inteiro também não será. O máximo que pode ocorrer em algum futuro otimista é a destruição de todas as podridões históricas que fedem nas páginas dos nossos livros de História abaixo de muitas mentiras e manipulações de fatos passados. Perfeita jamais será esta Pátria.
Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Seres Do Mundo.
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| Foto de g felix rocha no Unsplash |


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