Obsessivos Hiperconectados

 
Foto por Dalila Dalprat no Pexels


Inomináveis Saudações a todas e todos vós, Seres Do Mundo!

Dentro de uma Era Hiperconectada, é possível escrever este texto como uma metalinguagem proclamada pela própria natureza da época. A obssessiva hipnose proporcionada pelo mundo da Internet tem sido, ultimamente, uma explosão constante que nos escraviza a este virtual ambiente. As pesadas correntes nos atrelam ao Facebook, ao Instagram, ao Twitter (X, atualmente), ao Snapchat, ao Medium, a tudo que aqui gravita em torno da socialização das diversas redes disponíveis neste mundo. E não conseguimos quebrá-las, diante de todos os benefícios e malefícios intrínsecos a este cibernético habitat dividido em variados nichos e caminhos. Inescapável prisão dentro de um escravocrata sistema contemporâneo.

A foto, enquanto não for postada, não dá descanso ao objetivo da exibição da imagem a martelar na mente. O vídeo necessita ser muito visualizado e comentado, senão o alcance de um status maior na sociedade virtual não é alcançado. Os likes precisam ser milhares, milhões, bilhões, sem o qual o objetivo determinado da exposição não é ao íntimo satisfatório. As mensagens que chegam e as mensagens enviadas, instantaneamente, dão uma satisfação pelo fator da rápida comunicação. E nada mais existe fora da Web, as atenções todas aqui estão, crescendo, se desenvolvendo e se eternizando. Isso pode ser uma doença para alguns psicólogos e psiquiatras; e uma perda de tempo imensa para quem foge da vida virtual. Para nós, hiperconectados, isto tudo já é parte do nosso viver e de nossa alma, sem a qual não mais podemos sobreviver.

É com dificuldade que abandonamos este mundo encantado, mas a estrada dourada dos bytes e bits está sempre aberta para nós. A obsessão sempre nos traz de volta para cá, uma obsessão por buscas e encontros de informações, conhecimentos e diversões. Como dito acima, aqui há malefícios e benefícios nas mesmas proporções. Alguns preferem encontrar-se com pessoas através das quais algo suficientemente produtivo seja desenvolvido. Outros se lançam às nuvens de futilidades e interesses daninhos (ou criminosos em profundidade) dos mais variados tipos. Selecionar para onde devemos ir ou não ir é parte do único rasgo de uma suposta liberdade quando escolher navegar ou nos afogar na Internet. O resto é tudo escravidão pura, uma correnteza que, cada vez mais, se torna constantemente veloz e feroz. As evoluções tecnológicas nos fascinam, dentro de todas as espécies de artefatos que nos conectam a este verdadeiro labirinto. Os desktops agonizam como sonhos de consumo doméstico e os notebooks, ultrabooks, laptops, tablets e celulares superpoderosos, cada vez mais, os substituem como formas de conexão com tudo isto aqui. O desejo constante em estarmos online nos define exatamente como cidadãos deste atual momento da nossa civilização. Porém, tudo isso significa que estamos em Evolução?

Hiperconectados, estamos nos alçando a novos patamares como Seres Sociais?

Hiperconectados, estamos subindo escadarias em direção a templos de Existencial Iluminação?

Hiperconectados, estamos nos situando como transcendentes de nossos ancestrais?

Hiperconectados, estamos existindo em um novo patamar essencial?

Hiperconectados, estamos melhores a cada dia em todos os sentidos?

Hiperconectados, estamos nos tornando pessoas melhores?

Hiperconectados, estamos nos posicionando como indivíduos verdadeiramente aprimorados?

Hiperconectados, somos felizes?

Hiperconectados, somos completos?

Hiperconectados, somos suficientes para nós mesmos?

Hiperconectados, somos verdadeiros?

Hiperconectados, somos reais?

Hiperconectados, conhecemos a nós mesmos?

Hiperconectados, conhecemos as outras pessoas?

Hiperconectados, conhecemos o nosso mundo fora da virtualidade?

Hiperconectados, conhecemos a nossa verdade?

Hiperconectados, conhecemos a nossa mentira?

Hiperconectados, vemos o mundo girar?

Hiperconectados, vemos o sol nascer e se pôr?

Hiperconectados, vemos a lua e as estrelas?

Hiperconectados, vemos toda a Natureza em nosso redor?

Hiperconectados, temos tempo para algo a mais?

Hiperconectados, temos algum tipo de segurança?

Hiperconectados, temos algum tipo de paz?

Hiperconectados, temos algum tipo de equilíbrio?

Hiperconectados, temos algum tipo de coração?

Hiperconectados, temos algum tipo de amor?

Hiperconectados, temos algum tipo de luz?

Hiperconectados, somos nós mesmos?

Duvido alguém a qualquer uma dessas questões responder. Eu mesmo não responderei. Estamos ocupados demais porque devemos terminar logo o tempo em que estamos aqui neste texto. Um selfie, uma mensagem, aquele vídeo que temos que assistir, aquele mergulho que temos a dar pela superfície ou pela Deep Web ou pela Dark Web nos aguarda… Estou mentindo, queridas loucas e queridos loucos?

Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Seres Do Mundo!








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