(...) Nunca as agonias da repressão, nem a brutalidade da disciplina de ajustamento a um padrão conduziram à verdade. Para encontrar-se com a verdade, a mente deve estar completamente livre, e sem a mínima deformação.
Mas, primeiramente, perguntemo-nos se desejamos realmente ser livres. Quando falamos de liberdade, estamo-nos referindo à liberdade completa ou à libertação de uma certa coisa inconveniente, de desagradável ou indesejável? Gostaríamos de ficar livres de lembranças dolorosas e desagradáveis e de nossas experiências infelizes, conservando, porém, nossas aprazíveis e satisfatórias ideologias, fórmulas e relações. Mas, conservar uma coisa sem a outra é impossível, porque, como já vimos, o prazer é inseparável da dor.
Cabe, pois, a cada um de nós decidir se desejamos ou não ser completamente livres. Se dizemos que o desejamos, temos então de compreender a natureza e a estrutura da liberdade. (...)
in: pag. 61
👨🏾💻 Dados Técnicos
Título do Original: Freedom From The Know
Ano de lançamento do original: 1969
Tradução: Hugo Veloso
Organização: Mary Luytens
Editora Cultrix: São Paulo
1970
112 pags.
✍🏾 Sinopse:
Este volume reúne os principais momentos de um grande número de conferências recentemente pronunciadas por Krishnamurti na Europa e na Índia. Entre outros assuntos de relevo, são aqui tratadas questões como: a busca do Homem; a mente torturada; a armadilha da respeitabilidade; o aprender a conhecer-se; a totalidade da vida; a fragmentação do pensamento; os temores e o medo total; a dependência; a libertação; o tempo; o amor; o que é pensar; os fardos do passado; a meditação; a revolução total; etc.
⚖️Créditos da Sinopse: Editora Cultrix
(...) Se considerais importante conhecerdes a vós mesmo só porque eu ou outro disse que é importante, receio então que esteja terminada toda comunicação entre nós. Mas, se concordamos ser de vital importância compreendermos a nós mesmos, totalmente, torna-se então diferente a relação entre vós e mim e poderemos explorar juntos, fazer com agrado uma investigação cuidadosa e inteligente. (...)
in: pag. 19
Pouca vultura há no Ser Humano quanto à propensão para o conhecer a si mesmo. Na maioria das vezes, muitos preferem as grandes ilusões da carnalidade. O que ilude chama mais a atenção. O que vem a ser um divertimento a retirar as preocupações do foco central dos maiores problemas pessoais é uma premissa suprema.
II
(...) Mas, como será possível nos libertarmos da estrutura psicológica da sociedade, o que equivale a libertar-nos da essência do conflito? Não é difícil aparar ou podar certos ramos do conflito; mas, estamos perguntando a nós mesmos se é possível vivermos em completa tranquilidade interior e, por conseguinte, exterior. Ao contrário, tornar-nos-emos dinâmicos, cheios de vitalidade e de energia. (...)
in: pag. 55
A libertação da pregação dos valores sociais tende sempre a um enforcamento e sufocamento das diversas situações e ações que prendem a mente a um comportamento de prisioneira de sua própria realidade. Na realidade interna psíquica se processam os atrasos em forma de idéias que no exterior estão atrás dos comportamentos robóticos e anti-naturais de muitas pessoas.
III
(...) Só a mente que olha as árvores ou as estrelas com total abandono de si própria, só essa mente sabe o que é a beleza, e quando estamos realmente vendo, achamo-nos num estado de amor. Em geral, conhecemos a beleza pela comparação ou através das criações do homem, o que significa que atribuímos beleza a um certo objeto. Vejo aquilo que considero um belo edifício e aprecio essa beleza por causa de meu conhecimento de Arquitetura e pela comparação com outros edifícios que vi. Mas, agora, pergunto a mim mesmo: ‘Existe beleza sem objeto?’. Quando há um observador, ou seja, o censor, o experimentador, o pensador, não há beleza, porque a beleza é então algo exterior, algo que o observador olha e julga; mas, quando não há observador — e isso requer muita meditação, investigação — há então a beleza sem objeto. (...)
in: pag. 81
A liberdade da visão pura de cada objeto no mundo é rara, nada tendo de mudança desde 1969, ano da publicação do original deste livro. Cinquenta e sete anos depois, continuamos sendo observadores que julgam, classificam e abarrotam a mente de observações que nunca chegam a ser sinceramente livres em sua Objetividade. Na Subjetividade escolhemos moldar tudo com os nossos olhos julgadores, deixando de lado toda a real proposta de sabermos fazer com que a nossa mente se livre dos valores que ela mesmo estabelece ao estarmos fixos na visão de algo à nossa frente. Essa visão sendo, sempre, na grande maioria humanas, repleta de comparação e análise, resultando em uma falsa visualização da essência da imagem que pela mente é captada.
IV
(...) Na vida que em geral levamos há muito pouca solidão. Mesmo quando estamos sós, nossa vida está tão repleta de influências, de conhecimentos, de memórias e experiências, de ansiedade, aflição e conflito, que nossa mente se torna cada vez mais embotada e insensível, funcionando numa monótona rotina. Estamos sós, alguma vez? Ou estamos transportando conosco todas as cargas de ontem? (...)
in: pag. 94
Carregamos O Ontem a cada dia. Somos O Ontem a cada passo. Abraçamos O Ontem a cada pensamento. Vivemos O Ontem a cada palavra proferida. E temos medo da Solidão. Temos medo de, solitariamente, olharmos para dentro de nós mesmos. Temos medo de, insolitamente, entrarmos em nossa Casa Interior. Temos medo de, enfim, conhecermos e reconhecermos o que somos de verdade. Confessemos, enfim: somos todos saudosistas de uma época muito melhor e menos pesada de nossas vidas, época no Ontem que queremos que no Hoje se repita. Os ecos do Ontem enveredam pelas estradas do Hoje e nos vemos aprisionados ao ciclo de pensamentos que nos levam a desejar que nunca tivéssemos saído do Passado. Este transportamos para o nosso atual cotidiano de diversos modos, conscientes ou inconscientes do quanto é desnecessário e fatigante tentarmos replicar as nossas vivências passadas. Infância, Adolescência, nossos primeiros anos na Vida Adulta ou cada década de nossas humanas idades nos quais vivenciamos as mais diversas experiências estão mortas e enterradas dentro de nós. De modo saudável sempre podemos Ser Jovens, mas não atuando de modo ridícula como uma criança, um(a) adolescente ou um(a) adulto(a) que pensa que jamais irá envelhecer vivendo apenas “o momento”. É Ser Sempre Jovem Mentalmente não é ficar atrelado aos movimentos todos do Passado, mas saber que a saúde mental depende unicamente do modo como podemos tornar frutífera cada experiência nossa no Presente em vistas de um Amanhã que será fruto do mesmo. Infelizmente, poucas ou nenhuma pessoa na face da Terra, dentro da urbanidade e até no campo, pratica essa alquimia mental e se enrosca cada vez mais na multidão, não sabendo na solidão que faz refletir e iluminar buscar a sólida expressão de uma outra busca: a da redentora libertação de toda prisão.
Escolha uma maneira de ler este livro, um método pessoal e livre das imediatas interpretações. Não é uma leitura nada fácil ou facilitadora, leitora e leitor virtual, tendendo mais para ininterruptos choques de realidade que agridem a sensibilidade e as perspectivas de visualização do conteúdo da própria humana realidade. Tente ler sem a ânsia por querer encontrar “A Resposta”, algo que em nenhum dos livros de Krishnamurti se encontra. Leia e o constante Questionamento de si mesmo crescerá. Leia e tente ultrapassar cada Questão que nascerá. Passado, Presente e Futuro de uma leitura, os quais devem desaparecer…
Ou tu és, leitora e leitor virtual, preso ao Passado das leituras, em todos os sentidos, que te entreguem respostas prontas sempre límpidas e claras?
Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Seres Do Mundo!

Jiddu Krishnamurti 
Capa do meu exemplar 
Contracapa do meu exemplar


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