Inomináveis Saudações a todas e a todos vós, Seres Do Mundo.
Hoje faz sete anos que a minha saudosa mãe faleceu. A dor da perda física dela continua dentro de mim e vai me acompanhar pelo restante da minha vida. 10 de julho de 2019 é o pior dia de toda a minha existência, o qual ressoa mais constante e inflexível mais melancólico e doloroso. Este texto, entretanto, tem um sabor, uma cor e uma face muito íntimos, intensivamente realizando-se agora através do esforço das minhas palavras. Há a necessidade de ser neste texto o máximo conciso ainda, pois o tema do mesmo se refere a interpretar o luto como uma fonte de informação. Não uma Fonte que se amplie e alcance outras pessoas, pois cada um que tem em si esse sentimento retira dele a força para continuar; mas, algo que a cada um revele algo de si para si mesmo.
Dentro do Curso da minha área, a Biblioteconomia, existem duas Disciplina que tratam acerca do conhecimento informativo: Fontes de Informações Gerais e Fonte de Informações Especializadas. Segundo Claudia Carmen Baggio, Heloisa Costa e Ursula Blatmann no artigo Seleção de tipos de fontes de informação:
As fontes de informação são geralmente utilizadas por pesquisadores, acadêmicos (docentes e discentes), e, usuários comuns. No entanto, com a grande quantidade de informação disponível é preciso saber onde buscar as fontes de informação que atendam as necessidades de informação de todos esses usuários. A Internet se constitui em um canal que disponibiliza inúmeras fontes de informação, no entanto, nem sempre é uma informação de fácil recuperação e de fontes confiáveis. As fontes de informação podem ser classificadas em fontes primárias, secundárias e terciárias. De acordo com Cunha (2001), as fontes primárias “[...] são fatos vindos diretamente das fontes e não adulterados [...]. É uma informação que não pode ser mudada, alterada ou disfarçada por opiniões ou seleções”. De acordo com Pinheiro (2006, p. 2), as fontes ou recursos de informação em meio eletrônico primários “correspondem à ‘literatura primária’ e são aqueles que se apresentam e disseminados exatamente na forma com que são produzidos por seus autores”. Como exemplo tem-se: congressos e conferências, legislação, nomes e marcas comerciais, normas técnicas, patentes, periódicos, projetos e pesquisa em andamento, relatórios técnicos, teses e dissertações e traduções.
As fontes secundárias “contêm, informações sobre documentos primários e são arranjados segundo um plano definitivo; são, na verdade, os organizadores dos documentos primários e guiam o leitor para eles [...]” (CUNHA, 2001, p. ix). Podem ser: livros, manuais, internet, museus, herbários, arquivos e coleções científicas, prêmios e honrarias, redação técnica e metodologia científica, siglas e abreviaturas, tabelas, unidades, medidas e estatística, bases de dados e bancos de dados, bibliografias e índices, biografias, catálogos de bibliotecas, centros de pesquisa e laboratórios, dicionários e enciclopédias, dicionários bilíngues e multilíngues, feiras e exposições, filmes e vídeos, fontes históricas.
E, as fontes terciárias ajudam “o leitor na pesquisa de fontes primárias e secundárias, [...] [e atuam como] sinalizadores de localização ou indicadores sobre os documentos primários ou secundários, além de informação factual [...]” (CUNHA, 2001, p. ix), que podem ser: bibliografia de bibliografia, bibliografia e centros de informação, diretórios, financiamento e fomento à pesquisa, guias bibliográficos, revisões de literatura.
Vou tomar a liberdade aqui neste texto de interpretar as Fontes como relacionadas aos seres humanos, algo que como Livre-Pensador, fora da esfera acadêmica, posso fazer. Considerarei como Fontes Primárias o conteúdo dos pensamentos e sentimentos de uma pessoa. tudo que faz parte do contexto mais íntimo que torna cada personalidade única; como Fontes Secundárias, as escolhas, e disposições relacionadas ao fato do entendimento do mundo conforme os trâmites das Primárias; e como Fontes Terciárias as ações, reações e consequências de cada movimento das características anteriores espelhando-se internamente e configurando a base do comportamento externo. Digamos, então, que o luto seja algo que conviva com todos os demais sentimentos na esfera primária da personalidade humana, uma parcela do Ego que se desdobra de diversos modos conforme as cargas pessoais de aprendizado e relacionamento das pessoas com a dor da perda. Reconhecendo isto, conforme a perspectiva deste meu livre modo de interpretação de fontes informativas dentro de nós, humanos em geral, há de ser plausível chegarmos ao entendimento e ao reconhecimento de que o melhor meio de conhecermos a nós mesmos se encontra nos subterrâneos de nossa mente e sentimentos, tais como o luto, o qual é o assunto aqui tratado.
Porque o luto nos torna pessoas mais reflexivas e voltadas para nossas próprias diretrizes pessoais. Ele, falando das pessoas que verdadeiramente carregam tal sentimento, penetra decisivamente tão fundo que não se retira jamais, mesmo que a dor sentimental venha a ser diminuída com o passar do tempo. Em algumas pessoas, a dor, sim, pode até desaparecer; no entanto, em outras, como eu, por exemplo, é algo que se carrega até o fim da vida. Pessoas assim como eu não tem como escapar disto, visto ser parte da personalidade sentir tudo de uma maneira mais profunda e intensa do que outras pessoas. Não se trata de endeusar o luto e nem de deixar de viver por completo, isolado em casa e sem ir a lugar algum além do trabalho, da universidade ou de um lugar de conforto religioso. O luto que estou falando aqui é o verdadeiramente crônico em quem sente tudo com mais intensidade do que a grande maioria das pessoas, aquele tipo de luto que não impede a pessoa de rir ou sorrir. Este rir e sorrir, falando por experiência própria, carece muitas vezes de naturalidade e sinceridade, se situando apenas em breves esforços para atenuar um pouco a tristeza. Esta, no entanto, tal qual a chama inapagável do verdadeiro luto, permanece como uma companhia que sufoca e apaga qualquer momentânea alegria.
O perigo da tristeza é que ela pode desdobrar-se em direção a um estado depressivo profundo, o qual eu quase alcancei. Por sorte, devido a afinidades eletivas como Games (e isto eu agradeço ao falecido jogo para smartphones The King of Fighters All Star, mais do que a qualquer outro que eu joguei ou esteja atualmente jogando), Filmes (companhias maiores que muito me acrescentam), Séries (adoro maratonar, principalmente as asiáticas), Animes (assisto até vários ao mesmo tempo quando estou bem animado), Livros (eu devoro estes e assimilo tudo rapidamente), Estudos (o processo de estudo para o ENEM 2023 e o meu atual progresso sucessivo em meu Curso na UNIRIO), a Religião (Thelema e Reconstrucionismo Nórdico) e muitos outros interesses que possuo, eu não adentrei em uma depressão completa. A depressão, contudo, ainda está aqui presente, nas sombras, me acompanhando quase incógnita e sem emitir gritos muito altos. Ela surge em momentos específicos hoje em dia, mais quando me sinto muito mais triste e solitário do que eu já sou normalmente, não me afetando tanto quanto a períodos anteriores desde o falecimento de minha mãe. Em todos os processos do meu luto, aprendi muitíssimo acerca de mim mesmo com as informações oriundas do meu estado que me guiaram a me aprofundar em cada um dos meus interesses. Muito acerca de mim passei a conhecer desta maneira; muito, ainda, em mim e sobre mim, vou descobrir na continuidade da minha existencial jornada.
Então, se alguma leitora e leitor que vier parar neste texto, exatamente encontrando-se em um estado de luto profundo como o meu; identificada(o) com o que acima descrevi sinteticamente acerca do modo como vejo o meu luto e o luto em geral, livremente interpretando-o; e sentir que alguma observação aqui faça algum sentido para ti, examine a possibilidade de aplicar-se a descobrir acerca de si mesmo através da dor, da tristeza, da solidão, da angústia e do que lhe pressiona o coração neste exato momento de sua vida. As lágrimas e as lamentações excessivas, conforme o pensamento espiritualista que adotei como coerente, apenas perturbam o espírito desencarnado da pessoa amada que deixou de estar fisicamente ao nosso lado. Tudo está dentro de mim, cada lembrança que tenho de minha mãe, cada saudade que dói muito todas as vezes nas quais eu me vejo refletindo sobre a minha relação com ela. Mesmo que seja duríssimo continuar, eu continuo seguindo a minha estrada, em frente, sem olhar para os lados e nem para trás. Faça o mesmo, leitora. Faça o mesmo, leitor. Se o luto é em ti uma morada, aproveite para fazer uma mansão com ele adentrando em si mesmo para encontra-se face a face com a tua verdade, algo que ninguém ou qualquer instituição religiosa conseguirá fazer com que seja por ti encontrada. Volte-se para a Arte, para seus gostos pessoais, para o que lhe faz bem e nasce constantemente do Conhecimento Humano, tudo que lhe guie neste momento difícil da tua vida. Informe-se sobre ti mesmo através do peso que tu carregas em teu Ser e descubra tudo sobre si, mesmo que seja algo horrível, mesmo que seja algo abominável ou mesmo que seja algo agradável e aceitável. O suicídio é a saída dos fracos, assim como o isolamento total apenas uma dolorosa perda é a vaidade dos incapazes de compreender que a essência de nossas vidas também depende do quanto sofremos para se tornar, alinhada à nossa vontade de viver e de sobreviver, a maior das fontes informacionais acerca de tudo o que nos torna humanos.
Sigam no equilíbrio que o luto traz no silêncio que tudo constrói, vocês que estão verdadeiramente em luto. E vivam, diante desta informação, como as pessoas que vocês fisicamente perderam continuam querendo que vivam: sempre fortes, sem se curvar, dobrar ou quebrar diante de todas as calamitosas tempestades da vida humana.
Saudações Inomináveis a todas e a todos vós, Seres Do Mundo.
REFERÊNCIA
BAGGIO, C. C.; COSTA, H.; BLATTMANN, U. Seleção de tipos de fontes de informação. Perspectivas em Gestão & Conhecimento, v. 6, n. 2, 2016. Disponível em: https://brapci.inf.br/v/50946. Acesso em 10 jul. 2026.
São João de Meriti, Sudeste/Rio de Janeiro , Brazil
Meu nome é Giovani Coelho de Souza, tenho 49 anos, sou Escritor, Poeta, Livre-Pensador, Nerd, Otaku, Tokufan, Gamer e interessado em conhecer de tudo um pouco, lendo e escrevendo muito. Moro em São João de Meriti, Rio de Janeiro, sozinho; já estudei Filosofia na UFRJ (não cheguei a concluir) e iniciei o Curso de Biblioteconomia na UNIRIO no Segundo Semestre de 2024. Sou também Concurseiro e estou na luta por um Emprego Estável (infelizmente, não dá para viver apenas de Poesia na época atual...). Me interesso por Artes Marciais (já fiz Karatê, mas não sai da Faixa Branca) que tenham uma profundidade mais filosófica, como os estilos mais tradicionais de Kung Fu, o Tai Chi, o Aïkido e o Kendo. Sou o criador do Projeto C.O.V.A. (Companhia De Organizadores De Viagens Abissais), um trabalho voltado para divulgar e falar da Arte Sombria em suas mais diversas manifestações. Magia & Ocultismo me agradam, mais do que qualquer outra coisa dentro do que vai além da Experiência Material, onde dou ênfase ao que minha Vontade vê como essencial. E adoro Erotismo e Pornografia.
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