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| Charles Bukowski |
Inomináveis Saudações a todas e todos vós, Seres Do Mundo!
Um espinhoso assunto temos aqui já presente na premissa do título desta postagem. Não vou tratar de uma Teoria Literária ou Poética sobre a Arte Escrita, eu não acredito em nenhuma das duas linhas de Estudos. Nem quero estabelecer um aglomerado de incontestáveis ou absolutas Verdades inexoráveis. O que proponho é um diálogo contigo, Autora ou Autor, tendo como testemunhas os leitores deste blog.
Convoco testemunhas porque a visão de todo aquele e aquela que nos lê valida nosso modo de literaria e poeticamente nos comportarmos. Ou não nos comportamos, pois muitos de nós, inclusive eu, quebramos as expectativas de muitos que nos lêem. Redefino agora o tipo de Autora e Autor ao qual direciono este texto: os marginais, os fora da caixa e que desprezam normas, leis e imposições acadêmicas na Arte Escrita.
Marginais como eu, o Inominável Ser que se direciona a vós, leitoras e leitores virtuais. Marginais Literários. Marginais Poéticos. Marginais batalhando contra cada dificuldade externa e metendo a porrada diariamente em cada dificuldade interna. Internamente, fazendo explodir para o exterior tudo que sufoca no Ser. Internamente, preparando para o exterior tudo que estrangula o Ser. Internamente, expurgando para o exterior tudo que estupra o Ser.
Autoras e Autores assim, leitoras e leitores virtuais, tem geralmente a Charles Bukowski como um espelho, um exemplo e um ícone. Nem todos o idolatram, aceitam ou reconhecem, buscando os outros tantos Marginais que escreveram, escrevem ou escreverão. Ser Fã de um Autor como Bukowski é tão saudável quanto ser o de um como Machado de Assis ou Chuck Palahniuk. Doentio é querer mimetizar absoluta e absurdamente o estilo deles nos campos da criatividade artística escrita.
Unicamente, como exposto pelo título deste texto, quero aqui dissertar brevemente sobre a obsessão em querer se tornar um Bukowski em nós, Marginais. Sim, Autora e Autor, eu que admiro-o também tenho em mim tal desejo inconscientemente. Seria hipócrita eu não me incluir aqui; eu, sempre tão verdadeiro neste blog, sempre tão sincero, sempre tão simples me direcionando a quem pode ler-me. Portanto, como parte da Marginalidade Autoral dentro e fora da Internet, me interiorizo neste texto implacável.
Melhor assim porque é dentro do Universo Marginal que me identifico e quem acompanha meus escritos virtuais sabe eu é isto uma confirmada verdade. No ato de escrever todo texto para os meus blogs, é inconsciente meu modus operandi mimetizando algo de outros Autores ou de Autoras. Não faço disso uma norma consciente porque não preciso imitar ninguém, assim como muitos de vocês que, como eu, escrevem. Porém, sem citarmos nomes, convenhamos que existem aqueles e aqueles que propõem-se a deslavadamente imitar uma Autora ou um Autor consagrado.
Dentro da Marginalidade, na margem da margem da margem da Literatura/Poesia Mundial, o principal escolhido para ser imitado é Bukowski. Eu notava muito isso quando usuário do Facebook, tanto em Perfis Pessoais quanto em Páginas que usavam o nome dele como chamariz. Uma excessiva aplicação no escrever nitidamente querendo alcançar o Status Existencial do Excelentíssimo Autor tematizado aqui. Os resultados podem ser até bons, ótimos ou excelentes; entretanto, isto traz qualquer tipo de autenticidade e naturalidade fazendo de quem imita um nome válido no Meio Literário/Poético?
No máximo há bastante vaidade quando quem lê posta um comentário deste tipo:
“A sua escrita me lembra Bukowski”
No máximo há ainda mais vaidade quando alguém assim comenta:
“Você é Bukowski em tudo”
No máximo há a infinitização da vaidade quando alguém assim comenta:
“Você é o novo Bukowski”
Amiga Autora, Amigo Autor, que se sente ou vê ou deseja ser como Charles Bukowski: desista de tal arrogante sonho, vocês nunca serão como ele. A ilusão lhes exalta o erro em ambicionarem os louros de uma consagração a partir da Imitação, da Inautenticidade e da Mentira para si mesmos. Pode haver boa vontade em parte dessa ambição, assim como inocência, inexperiência ou falta de confiança no talento natural. Não os condeno por completo, o que estou querendo lhes dizer é que tentem buscar as verdadeiras raízes, as profundidades, do que a pena lhes condiciona a exercer no papel ou na tela em branco. Fazer o exercício da busca de um estilo ou nem mesmo ter um estilo próprio definidor de uma identidade torna-se fácil com o tempo. Imitar não é honesto, legal ou bonito, sendo tudo que não se expande para maiores e melhores vias dentro de uma carreira a ser seguida.
Eu encontrei a minha falta de estilo após tanto buscar me indagando sempre o porquê de continuar alimentando blogs em um país que não tem uma poderosa tradição de leitura. Me mantenho constante construindo, destruindo e reconstruindo diariamente minha escrita. Sem me limitar jamais, limites obstruem a Criatividade. Sem me definir jamais, definições abortam a Imaginação. Sem imitar uma Autora ou um Autor, imitações extinguem a Personalidade Autoral.
Já imitei, abertamente confesso, a Bukowski e a outros e outras Grandes Figuras da Arte Escrita. Parei de fazer isto após séria sucessão de profunda auto-crítica, a qual recomendo a vocês que imitam realizar. Reconhecer uma limitação que não faz evoluir o modo de escrever não é uma vergonha. Verdadeira vergonha é se apegar até o fim em uma reta conectividade com imitações medíocres, baratas e involutivas do Ofício de Escritor(a) e/ou Poeta.
Saudações Inomináveis a todas e todos vós, Seres Do Mundo!
