Grato silêncio - Manuel Maria Barbosa du Bocage

 

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Grato silêncio, trêmulo arvoredo,

Sombra propícia aos crimes, e aos amores,

Hoje serei feliz! — longe, temores,

Longe, fantasmas, ilusões do medo.


Sabei, amigos Zéfiros, que cedo,

Entre os braços de Nise, entre estas flores,

Furtivas glórias, tácitos favores,

Hei-de enfim possuir: porém segredo!


Nas asas frouxos ais, brandos queixumes

Não leveis, não façais isto patente,

Que nem quero que o saiba o pai dos numes:


Cale-se o caso a Jove omnipresente,

Porque se ele o souber, terá ciúmes,

Vibrará contra mim seu raio ardente.