O Anel de Vidro - Manuel Bandeira

 

Foto de Alexander Mass no Unsplash


Aquele pequenino anel que tu me
deste,
— Ai de mim — era vidro e logo se
quebrou
Assim também o eterno amor que
prometeste,
— Eterno! era bem pouco e cedo se
acabou.

Frágil penhor que foi do amor que me
tiveste,
Símbolo da afeição que o tempo aniquilou, —
Aquele pequenino anel que tu me
deste,
— Ai de mim — era vidro e logo se
quebrou.

Não me turbou, porém, o despeito que
investe
Gritando maldições contra aquilo que amou.
De ti conservo no peito a saudade celeste
Como também guardei o pó que me
ficou
Daquele pequenino anel que tu me
deste. 

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