Castelã da Tristeza - Florbela Espanca

 

Foto de Nik Bagherzadegan no Unsplash

Altiva e couraçada de desdém,

Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!

Passa por ele a luz de todo o amor ...

E nunca em meu castelo entrou alguém!

 

Castelã da Tristeza, vês? ... A quem? ...

– E o meu olhar é interrogador –

Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr ...

Chora o silêncio ... nada ... ninguém vem ...


Castelã da Tristeza, porque choras

Lendo, toda de branco, um livro de horas,

À sombra rendilhada dos vitrais? ...

 

À noite, debruçada, plas ameias,

Porque rezas baixinho? ... Porque anseias? ...

Que sonho afagam tuas mãos reais? ...