Nada: A Verdade Dos Versos Existenciais

 

A Magical Existence, 2021 ~ Cameron Gray

Em Busca do Nada


Por que buscá-lo? por que procurá-lo? por que exigir

De cada aparência deslindada isso mesmo

Que ninguém jamais viu nem compreendeu?

Pobres, ansiamos possuir; a busca cega

Não abandonamos, esperando numa frase,

Num livro inédito, num dito do mestre,

Que a mão forte do acaso, em súbita

E esplendorosa explosão, o encontre

E nos aproxime para sempre…


Insensatos!


É, e não é achado, comprado ou dado.

Esforço, investigação, busca – eis as armas

Da revelação. Nem no céu nem na terra

Irei erguer o véu derradeiro

E, ajoelhado, contemplar o rosto sem rosto

Que contemple o meu ego satisfazendo.

No entanto, no instante em que os ponteiros do espaço

Se juntarem num ponto, nem cá

Nem acolá, e o tempo não-criado dormir…


Então


Não o encontrarão os sentidos em parte alguma,

Porque é interior. Dito nebuloso, Não!

Que dizer da periferia, se no imo

Está o régio servo da luz?

Será a terra que conhecemos um antro de pecado,

E apenas o céu uma altura luminosa?Vive, move-se. Não muda. Dentro,

Fora, de todos é visto.

No riso, no amor, na vaidade,

É o indiviso dividido.


Está aqui e além. Não tem ser,

Não age, não deseja.

Vê e sabe, vendo sem nada ver.

É o tudo de todas as coisas e cada coisa em particular.

Brilha no não-eu, no espaço certo;

Desfalece quando em aparência o uno se faz dois.

Espera, um momento intérmino,

Além, muito além o meu e teu alcance.


Por que, então, buscá-lo, na rua ou na mente?

Vivamo-lo, amemo-lo e gozemo-lo a fundo;

Ele é, nós o somos; Coisa alguma há para trás.

Quão rico é aquele que tem e é o Vazio!


Christmas Humphreys


Inomináveis Saudações a todas e a todos vós, Seres Do Mundo!

O Sentido Do Nada: nós sabemos possuí-lo como nossa verdadeira gota d’agua da salvação de nós mesmos?

No Nada, no cerne do Nada que há em nós, reside igualmente a fonte de nosso poder de sermos originais. Neste mundo de aparências frias, tolas, pueris e comuns, no pior sentido que estas palavras possam adquirir, não sabemos tirar proveito verdadeiro do Nada que adormece em nossos íntimos estados d’alma. O poema místico de Travers Christmas Humphreys (1901-1983) acima alerta para esse Nada que nós podemos fazer com que nos dê tudo. Se buscamos apenas a matéria, esta matéria, fácil de desgastar-se com a ação inexorável do porvir de todas as coisas, não nos preenche com o que procuramos.

Eu procuro A Verdadeira Verdade incessantemente fazendo com que o meu Nada vasculhe o Nada Das Formas que apresentam-se aos meus olhos, físicos e espirituais. Minha busca pela Verdadeira Verdade não pode ser a busca de vocês que me lêem, assim como as buscas de outrem não podem ser as minhas buscas. Cada um, olhando para o seu Nada, diante de seu todo de alegrias, tristezas, temores, dores, angústias, amores e ódios, alcançando o Estado Do Nada Verdadeiro que lhes indicarão as suas buscas, pode tornar-se para si mesmo um ser que possa transmitir algo de produtivo, evolutivo e rico para este mundo. A riqueza verdadeira, a mais pura verdadeira riqueza, é a do ser que do seu Nada encontra o seu Todo Verdadeiro, passando o Estado a ser A Permanência De Algo Verdadeiro.

Fácil não é abandonar uma vida de apenas buscas nas satisfações materiais; estas são importantes, mas devem ser as nossas maiores metas?

Creio que estas palavras estejam produzindo em vocês um tipo de reflexão sobre o que não devem fazer após lê-las. Não sigam isto apenas porque leram e nem porque tenham a vontade de seguir. Nada leiam, apenas reflitam sobre tudo que lhes vem ao conhecimento e tentem ver seus Nadas se possível. Na riqueza que cada um de vocês pode assim obter, está o que verdadeiramente devem seguir por si mesmos, para si mesmos, em si mesmos. Em toda essa riqueza há o poder das Poesias Do Ser, cujos Versos Existenciais cantam odes ao viver verdadeiramente vivo a própria existência.

Em um tempo com este onde fala mais alto a materialidade do que a espiritualidade, um fino toque em Verdades que os nossos antepassados conheciam bem melhor do que nós, pois mantinham um contato mais próximo e enriquecedor com a Deusa Mãe Natureza, remete-nos a reflexões. Apenas reflexões, pois o meu objetivo é apenas fazê-los refletir e não fanaticamente obedecerem ao que surge nestas meditações de uma alma acompanhada pelo seu Nada como a minha. A maneira mais correta de ser é não ser um seguidor de nada que externamente possa ser influenciador da personalidade.

No Nada há mais riquezas, pois a busca de si mesmo, a consciência de si, também reside em deixar que as relíquias interiores que possuímos se façam nossas amigas constantes diariamente. O Nada: A Resposta Em Vocês Para Que Tudo Verdadeiro Possam Obter, Ter E Ser. No Nada, tudo vocês serão, basta seguirem as suas metas próprias e não as estabelecidas por outrem, basta seguirem as suas Vozes Internas, os seus princípios de combates contra as suas fraquezas e inúteis ações.

Nas fraquezas, o Nada pode estar, aguardando a luta de vocês por despertá-lo na forma da força, a força de vossas próprias armas de luta por si mesmos. Nas inúteis ações, o Nada pode estar, aguardando a útil possibilidade de vocês visualizarem que estão sob a ação intempestiva do inútil, sendo no útil a primazia de realizações para si mesmos. Esse é o Nada, Irmãos Blogueiros, o Fundamento Maior de toda Verdade que vocês em si possuem. VOCÊS SÃO MUITO MAIS DO QUE DEUSES!

Saudações Inomináveis a todos e a todos vós, Seres Do Mundo!

10 de julho de 2006