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| Foto de Juliana Stein no Pexels |
Inomináveis Saudações a todas e a todos vós, Seres Do Mundo!
Reconheçamos, uma vez admitindo que somos civilizados demais para atitudes continuamente extremistas, que não nascemos para termos muita paciência diante de tanta ignorância e estupidez crescentes no mundo contemporâneo. Está havendo o retorno do grito, muito alto, de um revisionismo existencialista torpe e quase imperceptível através das redes sociais, das ideologias e das divergências típicas de um microcosmo polarizado. Enquanto muitos gritam de um lado e outros gritam do outro lado, muita gente se afasta ou tem vontade de tacar fogo em ambos os lados. No entanto, somos civilizados demais para cometermos barbaridades de tal monta em sequências de incendios por todo lado. Não creio ser covardia estar diante de tanta conturbação e não querer se meter no meio da mesma, escolhendo ou não um lado. E lá no íntimo, contrariando isso, nosso desejo quase psicótico de destruirmos esses divisores do mundo berra continuamente para que tomemos esta atitude. Nós, os não-ideólogos, não-integrados e não-interligados a qualquer movimento ou histeria coletiva. A estes, o meu presente texto de estréia aqui na Ensaios Sobre A Loucura se destina. Seres como eu, do alto do muro querendo tacar fogo em tudo, fazendo das cinzas o ressurgir do mundo como algo mais libertador, simples e evolutivo. Seres que, tal como eu, apenas imaginam isso e não se dão ao trabalho de querer extinguir tanta involução pela Terra.
A época assombrosa atual nos coloca à mercê de um ínfindo impasse existencial. Neste mesmo módulo ponho a todos que se duvidem e dividem a sociedade mundial, porque nenhum Ser Humano Contemporâneo está imune ao caos incriativo atual. Da mesmice das mesquinharias cotidianas às altas falcatruas políticas, a bagunça reverbera em tudo e em todos. Se dermos uma olhada para a realidade brasileira atual, para um país dividido e em um colapso social que todo mundo nega, mas vê que é claramente visível, teremos a absoluta certeza da desestruturação do sistema. Este tipo de incêndio vai gerando “mitos” e “resistências”, “heróis” e “vilões”, “salvadores” e “santos”, cada um apoiado em suas próprias bandeiras irracionais. A vontade de pôr fogo em tudo, incinerando a tudo e a todos, chega a um nível crítico. Mas, não podemos porque somos corretos, civilizados, não-terroristas, nós, os incorfomados…
E se fôssemos como eles, divididos entre morrer à direita ou ao centro ou à esquerda, em diversos níveis da sociedade brasileira, geraríamos outras polarizações, desuniões e destruições. Não haveria como evitar o jogo de um pesado jugo de um outro tipo de divisão, bem mais avassalador do que o atual. E até aqui me posicionei dentro da análise do cenário brasileiro, um misto de desintegração e desastres a níveis políticos, econômicos, sociais e culturais. Falar desta nossa própria realidade, dentro da visão panorâmica de um país incrivelmente à deriva por motivos presentes e passados, me concentra dentro da motivação para inventar de incendiar tudo. Sem citar nomes, bandeiras ou os pés sujos de cada um deles e delas que arrastam o país ladeira abaixo, eu já saberia como lidar com isso. Porque tudo se resolveria de modo mais insano ainda, eu não posso fazer isso, sou civilizado, sou anti-violência…
E o país naufraga. Eu naufrago. Você naufraga. Todos nós aqui dentro naufragamos. E lá fora a situação não é das melhores, a Humanidade vive uma grande crise acerca de sua própria espada flamejante autodestrutiva. Um mundo que se orienta dividido entre as festas comsumistas mais loucas e as frestas de épocas de total medo, violência, fome e tragédias. Ainda há Fome e Miséria no mundo neste inicio de século vinte e um, era da continuidade de criações de monstros dos mais variados. Monstros de intelectual exploração. Monstros de econômica exploração. Monstros de ideológica exploração. Os Monstros que regem a Lei. Os Monstros que regem a Ordem. Os Monstros que regem o Progresso. Os Monstros que regem a Involução. Os Monstros que regem a Desumanidade. A mão estremece e a vontade de queimar todos eles eleva-se… No entanto, nosso falso ar de civilização e mentirosa constituição hipócrita como seres racionais tende a nos tornar, a nós, os incorfomados, meros espectadores de toda esta Desgraça Contemporânea onde nos extinguimos.
O que fazer com toda a nossa Inconformação? Montarmos uma fascista ordem de incendiários terroristas assassinos e sedentos pelo sangue de todos os Monstros que regem o mundo, incorfomadas e inconformados? Implementarmos no mundo todo uma revolução pela libertação de nossas mentes, renascimento de nossas almas e reabilitação de nossos corpos tão escravizados e explorados pela Monstruosa Máquina Dominante Mundial, inconformadas e inconformados? Deitarmos em uma cama para ficarmos assistindo de uma televisão a deterioração do todo macrocósmico social onde nos inserimos, inconformadas e inconformados? Aceitarmos tudo que é imposto apenas porque pensamos não haver uma saída deste esgotado esgoto civilizado de ruínas, inconformadas e inconformados? Nos unirmos aos que marcham em direção ao abate no torneio da morte da autenticidade, da liberdade e da personalidade, inconformadas e inconformados? Atestarmos que nós somos iguais aos homens e mulheres que, teleguiados, trilham a estrada em direção ao nefasto destino de uma vida onde tudo é visualizado a partir da ótica de olhos terceirizados, inconformadas e inconformados? Nos ajoelharmos como submissos cegos, surdos e mudos aos escrutinios de um sistema de mundo que se eterniza como o sistema de um modo estrangulador da Verdadeira Vontade, da Verdadeira Vida, da Verdadeira Visão e do Verdadeiro Ser, inconformadas e inconformados?
Esta crônica sobre a loucura contemporânea desta Era Cibernética não tem respostas possíveis. Este ensaio sobre a desconstituição contemporânea do início deste Terceiro Milênio não tem respostas impossíveis. Este texto de estréia aqui em Ensaios Sobre A Loucura não tem respostas encontráveis ou desencontráveis. Tudo está para ser resolvido conforme pontos de vista particulares, tanto os meus quanto os seus, Loucas e Loucos Leitores. Conforme tais pontos, podemos lançar o molotov à frente causando apocalíptico incêndio gerador de verdadeiras mudanças na face deste estranho mundo atual. Ou podemos jogá-lo contra nós mesmos, promovendo um suicídio por sermos fracos e covardes enquanto o mundo inteiro se convulsiona em uma perturbação intensiva e consecutiva de tudo que o constitui. Sempre haverá um alvo específico para cada um que acendermos.
O meu, eu já sei qual é.
E o seu, Louca?
E o seu, Louco?
Saudações Inomináveis a todas e a todos vós, Seres Do Mundo!
Inominável Ser
UM LOUCO
JOGANDO
MOLOTOVS
