Oppenheimer

 



👨🏾‍💻 Dados Técnicos 


Estados Unidos & Reino Unido 

Cor

180 minutos 

Direção & Roteiro: Christopher Nolan

Baseado no livro American Prometheus

de Kai Bird & Martin J. Sherwin

Produção: Emma Thomas, Charles Roven e Christopher Nolan

Elenco: Cillian Murphy, Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr., Florence Pugh, Chris Hemsworth, Josh Hartnett, Casey Affleck, Rami Malek e Kenneth Branagh

Cinematografia: Hoyte van Hoytema

Edição: Jennifer Lame

Música: Ludwig Göransson

Companhias Produtoras: Syncopy Inc. & Atlas Entertainment

Distribuição: Universal Pictures

Datas de lançamento:

11 de julho  2023 (Le Grand Rex)

July 21, 2023 (Estados Unidos, Reino Unido e Brasil)

Idioma: Inglês


✍🏾 Sinopse 


Ambientado na Segunda Guerra Mundial, o longa acompanha a vida de J. Robert Oppenheimer, Físico Teórico da Universidade da Califórnia e diretor do Laboratório de Los Alamos durante o Projeto Manhattan - que tinha a missão de projetar e construir as primeiras bombas atômicas. A trama acompanha o físico e um grupo formado por outros cientistas ao longo do processo de desenvolvimento da arma nuclear que foi responsável pelas tragédias nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945.


⚖️ Créditos da Sinopse: Espaço Itaú de Cinema (atual Cinesystem Botafogo)




Inomináveis Saudações a todas e a todos vós, Seres Do Mundo! 

Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) foi realmente perdoado pela História? 

A primeira reflexão que tomou conta de mim desde que assisti a Oppenheimer aos 03 de agosto de 2023 (o dia do meu aniversário de 47 anos, que comemorei assistindo a esta obra-prima legendada no cinema) foi exatamente acerca da última conversa de Oppenheimer (Cillian Murphy) com a esposa, Kitty (Emily Blunt). Kitty pergunta se a História o perdoaria pelo fato de ter aberta a Caixa de Pandora da Corrida Atômica com as atrocidades que foram os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. De um modo confiante, Oppenheimer positivamente responde que, sim, ele seria perdoado pelo que fora levado a criar como uma maneira de definitivamente encerrar a Segunda Guerra Mundial. A resposta é duvidosa porque até hoje o mundo construído pelas Explosões das duas Bombas Atômicas efetuadas naquelas cidades japonesas posicionam a Humanidade  inteira em um estado de espera para que outra Caixa de Pandora seja aberta Iniciando a destruição total da Terra em uma Guerra Nuclear. 

Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) foi realmente perdoado pela História?

As voltas no meu pensamento partiram, então, ainda no processo de reflexão após assistir ao filme, no caminho para casa, acerca das responsabilidades de Oppenheimer para com tudo por ele levado a ser providenciado. Se diante do Povo Estadunidense a sua figura até hoje pode ser enaltecida, há uma mancha na mesma diante da opinião japonesa. Não tenho detalhes do impacto contemporânea do simbolismo das destruições de Hiroshima e Nagasaki para o contexto cultural nipônico atual. Um país, Estados Unidos da América, em uma demonstração de Poder, visto que, a meu ver não havia necessidade das Bombas Atômicas, vingou-se do ocorrido em Pearl Harbor. Os pilotos que jogaram as Bombas naquelas cidades jamais arrependeram-se e o próprio Oppenheimer, abertamente, encontrou -se dividido entre o vislumbre do que ajudou a criar e o horror que ele ajudou o mundo a contemplar. 

Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) foi realmente perdoado pela História?

Instrumento de vingança, como Armas Divinas lançadas por um país que até hoje se vê como o mantenedor, provedor e sustentador da Ordem Mundial, as duas Bombas são o marco mais terrível de acontecimentos nos últimos cem anos da História da Humanidade. Em meio aos Conflitos e Conceitos Científicos presentes no filme, Christopher Nolan introduziu noções de Moralidade e Amoralidade disponíveis para espectadores de natureza ortodoxamente analítica como eu. Se os caminhos morais se basearem na justificativa de que a vingança era válida, dentro daquele contexto histórico, para promover o encerramento de um Conflito Planetário em definitivo, concluiremos que houve uma decisão acertada advinda do lado que tinha o Direito da Vingança. Se os caminhos amorais forem as justificativas para dizer o mesmo, acrescentando camadas que posicionem os Estados Unidos apenas como consciente de seu Papel como ajustador de todas as fenomenalidades temporais e atemporais terrestres, não se culpando ou absolvendo, a questão toda novamente grita a necessidade daquelas grandes atrocidades terem sido cometidas. É nítido, pelo olhar de Cillian Murphy sendo Oppenheimer, que este, em absoluto estado de Auto-Conhecimento sobre o Papel dele naquele momento histórico e no Futuro, reconhecia que o desenvolvimento daquela Arma Das Armas estava muito acima de toda Moralidade e Amoralidade. 

Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) foi realmente perdoado pela História?

É essa indagação que atravessa o Tempo/Espaço e jorra sobre nosso atual momento histórico no meio das Batidas mais aceleradas do Relógio do Juízo Final. Nas Resenhas em vídeo que assisti sobre este filme no YouTube, após assisti-lo, cada uma delas ligou-se nos Aspectos Técnicos da obra e nas Interpretações dos Atores (no primeiro caso, Som, Fotografia, Cenário e Figurino são os grandes destaques; no segundo, Murphy e Robert Downey Jr engolem a todos os demais do Elenco com monumentais interpretações dignas de todas as Premiações possíveis). Poucos puderam dimensionar a capital importância do que a obra-prima de Nolan, aqui por mim analisada sob este ponto de vista histórico-cultural reflexivo, significa nas linhas e nas entrelinhas. A Crítica da Isabela Boscov foi a que eu mais gostei porque foi além da típica redundância dos Críticos Profissionais e alguns Críticos Amadores em tocarem sempre nos mesmos pontos das Tecnicalidades das obras cinematográficas. Ela interpretou a citação do Bhagavad Gita feita por Oppenheimer ("Agora estou me tornando a Morte, a destruidora de mundos.") como sendo o reconhecimento de Oppenheimer acerca de todas as responsabilidades dele com relação ao que poderiam realizar com o Conhecimento adquirido naquele Presente e no nosso Futuro modelado por toda a Destruição causada por aqueles Artefatos em Solo Nipônico. 

Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) foi realmente perdoado pela História?


Assim como os ignorantes executam seus deveres com apego aos resultados, similarmente os eruditos também podem atuar, mas sem apego, a fim de conduzir as pessoas pelo caminho certo.

Que os sábios não perturbem as mentes dos ignorantes que estão apegados à ação fruitiva. Eles não devem ser incitados a abster-se do trabalho, mas, sim, a se ocupar no trabalho com o espírito de devoção.


Bhagavad Gita, Capítulo Três, Textos 25 e 26


O Gênio da Física, que coordenou outras Geniais Mentes para o desenvolvimento da Arma que era crida pelo Governo Estadunidense e seu Aparelho Militar da época como “A Arma Que Acabaria Com Todas As Guerras”, foi algo muito acima de ter sido apenas um Emissário da Mortalidade que a Caixa de Pandora aberta por ele anunciou para a História Terrestre. Sua entrega, empenho e devoção profundos ao Projeto Manhattan eclodiram no pós-Guerra em um motivo para que ele mesmo atuasse como um Paradoxo ao se voltar contra as construções de Armas Nucleares ainda mais poderosas e não abrir mão de reconhecer-se como O Pai Da Bomba Atômica. A Sabedoria, nele, não foi relativa e nem o alcançou calçada em alguma dose de Ignorância típica de quem consegue, sim, Abrir Os Olhos, mas mantém dentro do coração as tolices e superstições das pessoas comuns. Oppenheimer Soube que a partir do momento de sucesso do Teste feito antes do Governo se apoderar do Resultado Final dos Experimentos que coordenou em Los Alamos, o seu nome entraria para a História Terrestre com todas as consequências do que o mesmo É e Não É. Julius Robert Oppenheimer: um Herói para os vencedores. Julius Robert Oppenheimer: um Vilão para os perdedores. Julius Robert Oppenheimer: um Ser que afeta a minha vida, a sua vida e a dos nossos descendentes. 


Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) foi realmente perdoado pela História?


Para aquele que nasce, a morte é certa; e para aquele que morre, o nascimento é certo. Por isso, no inevitável cumprimento de seu dever, você não deve se lamentar.

Todos os seres criados são imanifestos em seu começo, manifestos em seu estado intermediário, e novamente imanifestos quando são aniquilados. Então, que necessidade você tem de se lamentar?

Bhagavad Gita, Capítulo Dois, Textos 27 e 28


Ciente do que o Gita É e Não É, o leitor dele que foi Oppenheimer agiu de acordo com as diretas revelações nascidas dos lábios de Krishna para a Mente e o Ser de Arjuna antes da Batalha de Kuruksetra. Antes da Solução Final Estadunidense para, em uma demonstração de Superioridade Mecânica Suprema E Infalível, resolver o conflito que ainda se arrastava pelo Oceano Pacífico e Sudeste Asiático, ele conscientemente se projetou para a análise do panorama do mundo como ele seria no Futuro. Muito bem sabendo o que era o seu Papel dentro dos dramáticos atos daquele Momento Cronoespacial, sua lamentação posterior, vista no filme apenas pelo penetrante olhar do Ator que se tornou o que ele era na Matéria, soa como a de alguém usado pelos Senhores Das Armas em 1945, durante a Guerra Fria e na hoje Guerra da Ucrânia que pode abrir os Portões de um Conflito Continental que se transmute em um Conflito Mundial com o indiscriminado uso da Energia Dos Átomos mortiferamente. Como isto não afeta a minha vida? Como isto não afeta a sua vida? Como isto não afeta as vidas de seus descendentes? Somos habitantes de um planeta que nada aprendeu com a Segunda Guerra Mundial e nem com as atrocidades cometidas por alemães, japoneses, estadunidenses, russos, italianos e outros lutando nas linhas guerreiras do Eixo ou nas dos Aliados. As violências diárias, que não podem ser identificadas simploriamente como “Pequena Violência”, se acumulam na Grande Violência de considerar que está tudo bem enquanto não somos afetados por um ato violento como uma agressão verbal, um soco, um chute, um tiro, uma facada ou uma bomba. Porém, a Segunda Guerra choca-se diretamente conosco porque suas raízes ainda estão vivas e grandes árvores cresceram no fecundo terreno das buscas dos Poderosos de toda a Terra pela Superioridade. E Armas Nucleares entram nessa Equação, sendo Oppenheimer um Símbolo Maior que deixa para esta época e as épocas futuras mensagens que muito poucos poderão acessar em verdade. Nolan sabia disto quando iniciou a primeira linha do Roteiro que escreveu. Nolan sabe disso porque noto em seu olhar, nas Entrevistas que deu após o lançamento do filme, que a obra-prima dele foi resumida por grande parcela da Humanidade a um mísero, caricato e medíocre Evento Cinematográfico denominado Barbenheimer. Nolan deve ser sentir um pouco frustrado, com toda a certeza, ao ter transmitido para todos os Povos e Raças Terrestres uma Mensagem dentro das múltiplas mensagens em seu melhor filme até aqui feito (na minha opinião de profundo Fã do trabalho dele) que muito poucos pelo mundo tem a capacidade de Verdadeiramente Compreender. A maioria aproveita apenas o hype do momento, vai assistir às três horas do filme desejando que o mesmo acabe rápido, vai para casa, esquecerá tudo o que assistiu e se preparará para o próximo filme a ser assistido no cinema ou no Streaming ou em um Fansub qualquer da Matrix. Assim é, infelizmente, uma parte da nossa Humanidade que interpretará esta obra apenas como mais um filme de Hollywood que poderá ser capaz de ganhar Oscars e todos os Prêmios possíveis nos principais Festivais Cinematográficos Mundiais. 

Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) foi realmente perdoado pela História?


O Bem-aventurado Senhor disse: Eu sou o tempo, destruidor dos mundos, e Eu vim para devorar todas as pessoas. Com exceção de vocês (os Pāṇḍavas), todos os soldados aqui de ambos os lados estão mortos.

Portanto, levante-se e prepare-se para lutar. Depois de conquistar seus inimigos você desfrutará de um reino próspero. Eles já estão mortos por disposição Minha, e você, ó Savyasācin, poderá ser nada mais que um instrumento na luta.

Bhagavad Gita, Capítulo Onze, Textos 32 e 33


Não considero a Oppenheimer como sendo apenas mais um filme e a minha crítica rápida acerca do Evento Barbenheimer não é um desmerecimento do filme Barbie, o qual pretendo ainda assistir no cinema (Legendado, de preferência irrestrita e irrevogável da minha inominável parte) se for possível. Eu o assisti sentindo a tensão de cada momento, das passagens cronoespaciais para Passado, Presente e Futuro aos momentos emotivos e eróticos. Estes dois últimos, indiferentes à frieza do Cientificismo e da Cerebralidade da obra em si, não funcionam como momentos de pausa ou alívio porque apenas elevaram a tensão para camadas mais sutis. Muito foi inventado para o filme, mas Julius Robert Oppenheimer, O Homem, O Cientista e O Arquiteto da História Contemporânea Pós-Segunda Guerra Mundial, em síntese, é o que está nele e muito mais para quem tiver a mesma capacidade que eu tenho de transbordar para as profundidades da História contada em uma artística atmosfera. Como História Pura, Oppenheimer, O Filme, é uma Ilíada, uma Odisséia, uma Bíblia, um Talmud, um Alcorão e um Universo Mitológico Real modelado por Seres Humanos, não por Deusas e Deuses Eternos. É um passeio de referências a homens e mulheres mortos há muito tempo, tanto das Personalidades Principais envolvidas com tudo que ocorreu em Los Alamos quanto dos que lutaram nos fronts da Segunda Guerra no Eixo e junto aos Aliados. Mesmo não presentes fisicamente no filme, os ecos dos soldados mortos de ambos os lados compõem o histórico cemitério construtor da nossa Contemporaneidade. Porque, na verdade, se tivermos um raciocínio bem preciso, dentro do contexto histórico contemporâneo a 1945 até hoje, pode-se dizer que ninguém venceu ou perdeu a Guerra Planetária Maior do Século 20. Parágrafos acima escrevi que Oppenheimer é um Herói para os vencedores e um Vilão para os perdedores; entretanto, dentro do mesmo raciocínio contextualizante usado para a minha anterior afirmação, ele não é um Herói e nem um Vilão. Oppenheimer, para mim, foi apenas um instrumento para o alcance do status de Nação Ultrapoderosa dos Estados Unidos no Pós-Guerra, algo hoje contestado por Rússia, China e Coreia do Norte se a esta considerarmos como um Player da Geopolítica. Ele mesmo chega a dizer para o General Graves (Matt Damon), em um ponto-chave do filme, que ele apenas estava sendo usado porque precisava ser controlado pelo Governo por causa do passado comunista e progressista dele. Anos depois, historicamente comprovado de modo literal, ele foi perseguido e dilacerado por quem jamais desconfiaria de ser a fera que pretendia publicamente destroçá-lo. Mesmo que tenha sobrevivido ao Conflito junto aos “vencedores” que destroçaram impiedosamente aos “perdedores”, Oppenheimer, o Ser Humano objeto do relato histórico neste filme, é um Nada diante de Poderes muito maiores do que ele que ainda comandam o Destino Planetário no Campo Material. 

Julius Robert Oppenheimer (1904-1967) foi realmente perdoado pela História?

A resposta está no diálogo final do filme, quando ele e Albert Einstein (Tom Conti) encerram esta Peça Histórica Maior com palavras que ressoam nos cemiteriais contextos da nossa Civilização caindo neste exato momento aos pedaços. Uma comprovação do que é A Decadência Humana. Uma constatação, para mim, do que eu denomino como A Desgraça Contemporânea. 


Diz-se que a natureza é a causa de todas as atividades e efeitos materiais, enquanto a entidade viva é a causa dos diversos sofrimentos e gozos neste mundo.

Dessa forma, a entidade viva dentro da natureza material segue os caminhos da vida, desfrutando dos três modos da natureza. Isto se deve à sua associação com esta natureza material. Assim, a entidade viva se encontra com o bem e o mal entre as diversas espécies.

Bhagavad Gita, Capítulo Treze, Textos 21 e 22


Nós, Humanos, sempre seremos os únicos responsáveis por todas as Construções e Destruições em nossa História Planetária. E ocupamos muito O Tempo mais destruindo uns aos outros do que construindo um Espaço de Paz Eterna para todos os Povos. 

Ouçam o Tic-Tac do Relógio do Juízo Final agora… 

Saudações Inomináveis a todas e a todos vós, Seres Do Mundo!


Christopher Nolan