Vulcões - Florbela Espanca

 

Foto de Felipe Hueb no Pexels 


Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal

Não tem a lividez sinistra da montanha

Quando a noite a inunda dum manto sem igual

De neve branca e fria onde o luar se banha


No entanto que fogo, que lavas, a montanha

Oculta no seu seio de lividez fatal

Tudo é quente lá dentro... e que paixão tamanha

A fria neve envolve em seu vestido ideal!


No gelo da indiferença ocultam-se as paixões

Como no gelo frio do cume da montanha

Se oculta a lava quente do seio dos vulcões...


Assim quando eu te falo alegre, friamente,

Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha

Paixão, palpita e ruge em mim doida e fremente!